segunda-feira, 4 de março de 2013

Nothing personal

Ela, fazia 19 em abril. Ele, fazia 20 em outubro.

Ela, criava roupas. Ele, fazia jornalismo.

Ela, via nele algo que talvez ninguém mais pudesse ver. Ele, não percebia que ela não era aquilo que ele pensava ser.

Ela, falava demais, ria demais. Ele, não gostava disso. Achava que ela chamava muita atenção. De fato, ela chamava.

Ela, gostava dele, não tinha explicação. Ele, era um imbecil que não percebia isso. Ou percebia e fingia que não.

Eles discutiram sem nem mesmo existir uma relação.

Ela, sentiu antes tudo que iria acontecer. Ele, mostrou a ela que tinha um pingo de consideração. 

Os olhos dele eram capazes de ler a alma dela.

Eles nunca mais se falaram.

Ela, ainda segue gostando dele. Ele não sente nada.

Ela, finge que não se importa. Ele, não se importa.




terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

And I don't know how it gets better than this

[Adicione aqui qualquer palavra que seja sinônimo de deplorável]

Mais de 24h enfiada dentro de um pijama. Devo ter saído do quarto no mínimo umas três vezes. Evolução, levantei da cama e sentei no sofá. Parece que só tenho vontade (ou inspiração) de escrever quando alguma coisa está errada.

A mesma música ainda está tocando. Chato. Mas é a primeira da lista quando eu aperto o play.

Está tudo uma bagunça. Não estou me referindo a minha mesa repleta de jóias, esmaltes e perfumes jogados que foram misturados com folhas rasgadas do meu sketchbook.

Minha cabeça ainda dói. Não acredito mais que seja só a sinusite.

Minha mente tenta me sabotar o tempo todo. Olha só, tem uma mancha no meu teclado, esquisito.

Começou a chover. Cantei mentalmente uma parte da maldita música que continua tocando: ''In a storm in my best dress, fearless''

Entediada. Nada pra desenhar, ou ler, ou...


Não sei quando foi a última vez que minha pele viu um pouco de pó ou meus olhos umas camadas de rímel. Talvez um mendigo tenha uma aparência melhor que a minha.


Fearless. Irônico, sou a pessoa mais covarde desse mundo.

Ainda não desfiz as malas. 

Continuo usando meu pijama cor-se-rosa.

domingo, 28 de outubro de 2012

Somewhere in her smile she knows

Eu tenho esse amigo - escritor, 19 anos - que um dia me perguntou sobre o que ele poderia escrever, eu muito egocêntrica como sempre, respondi: ''Escreve sobre mim, só pra variar um pouco.'' Ele, muito divertidamente, replicou-me dizendo que já tentara mas que não conseguíra.
Cá comigo, pensei, se nem eu sei me explicar, como poderiam os outros saber? Como seria possível alguém falar de mim se eu nem ao menos sei quem sou. E não é aquela dúvida de, eu gosto disto ou gosto daquilo.
Se bem que, cada hora eu gosto de uma coisa diferente. E isso acontece constantemente com meu cabelo, que há dois meses atrás costumava ser laranja, agora voltou a ser castanho e talvez na semana que vem ele possivelmente esteja lavanda - sim, lavanda - .
Eu queria poder saber quem sou. Que alguém me perguntasse ''quem é Stella?'' e eu pudesse responder algo além de ''faço faculdade de Moda e gosto de desenhar''. Por que ser tão complicada? Por que mudar com tanta frequência?
Outra coisa que me deixa furiosa é essa capacidade insuportável que eu tenho de ir do céu ao inferno em menos de 7 minutos por vez. Fico triste e fico feliz com muita rapidez e facilidade, e isso nem é ser bipolar, é só a minha mente trabalhando contra mim.
Esse mesmo amigo escritor, me disse uma vez que eu era igual a Alice - in Wonderland -, que eu tinha um mundo próprio. Pensando bem, eu até posso concordar com ele, talvez esse mundo que eu criei me torne impossibilitada de descobrir quem eu sou. Talvez esse mundo que me faça mudar tanto. Talvez eu crie tantas coisas e histórias na minha cabeça, que seja por isso que no fim eu me decepcione tanto. Talvez, talvez, talvez.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Drink every drop of rain

Eu quebro promessas. Não promessas feitas aos outros. Promessas feitas a minha própria pessoa.
Quantas vezes eu já acordei, dizendo que não beberia mais coca, que a cerveja tinha acabado e que na segunda eu começaria alguma super dieta.
Estou quebrando outra vez uma promessa feita a mim mesma - ela pensou enquanto tomava outro gole de sua cerveja.
A cerveja me faz refletir. Não, isso não é só conversa de bêbado. É que, minha vida começa a passar rapidamente diante dos meus olhos. Eu olho pra janela e vejo o dia acabando. Provavelmente eu vou acabar parando em algum barzinho costumeiro depois de uma meia hora sentada olhando não sei exatamente o que.
Eu fico corajosa depois de uma ou outra garrafa de cerveja, o problema é que misturada com tanta coragem sempre embarca alguma bobagem que futuramente eu vou me arrepender de ter dito. Mas será que vale a pena me arrepender de algo que eu fiz? Não seria melhor me arrepender de algo que eu não fiz?
Comigo é sempre assim, a teoria funciona que é uma maravilha. Agora, quando chega na hora da prática: as mãos tremem, os olhos param, a boca abre mas não emite som algum.
Por que tanto medo? Aliás, medo de que?
Medo por ter certeza que é um sentimento que já não cabe em mim. Medo de saber a resposta, independente de ser sim ou não. Medo apenas por sentir medo.
É como se eu jamais estivesse pronta, para seja lá o que for.
Ando precisando de uma boa dose de coragem, e eu não estou falando da cerveja.